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Cego após doença, americano se reinventa no skate e dá lição de vida: "Pensam que sou menos capaz"

Dan Mancina usa paixão pelo esporte como motivação, brinca que sexo melhorou e afirma: "Pais não precisam esconder filhos cegos e devem deixá-los fazer o que crianças estão destinadas a fazer"

Por : Redação 12/04/2017 às 14:29:12

Aos 13 anos, Daniel Mancina recebeu uma notícia nada animadora. Cedo ou tarde, perderia completamente a visão. Diagnosticado com retinose pigmentar, ele não tinha escolha. Ficaria cego com o passar do tempo. A certeza que a doença trouxe, porém, não foi encarada como uma sentença de morte. Pelo contrário. Dan se preparou para os dias que teria pela frente. Entre a incerteza de um futuro sem enxergar e a manutenção da rotina na cidadezinha de Livonia, nos Estados Unidos, em nenhum momento teve dúvida de optar pela segunda. Sempre com o sorriso no rosto, aprendeu o braille, interagiu com outros cegos para entender como seria seu cotidiano quando o inevitável batesse à porta, e hoje, aos 29 anos, é uma lição de vida.

O skate, paixão desde os sete anos de idade, talvez tenha sido o único bloqueio inicial quando Dan perdeu 100% da visão do olho esquerdo e manteve 5% da visão periférica do direito, o que lhe proporciona apenas percepção de movimentos e vultos, mas nunca de forma nítida. Aos poucos, contudo, o incentivo dos amigos, e a saudade falaram mais alto. E Mancina voltou. Quem vê seus vídeos nas redes sociais, custa a acreditar no que Dan consegue fazer. O equilíbrio em cima das rodinhas impressiona. E tamanha coragem ganhou o mundo. No início do ano, Daniel foi anunciado como finalista do "Holman Prize", prêmio internacional que celebra atitudes, feitos incríveis e o ativismo de deficientes visuais.

- Antes, tinha dificuldade apenas à noite, mas andava normalmente de skate. Nos últimos cinco anos, porém, quando perdi toda a visão do olho esquerdo e a maioria do direito, parei. Só voltei nos últimos dois anos. No ano passado, resolvi levar a sério e me senti mais confortável, mas ainda é assustador como o inferno. Só que acredito que sou uma inspiração. Eu mostro que podemos fazer mais na vida. Eu forço as pessoas a se perguntarem qual é a desculpa que os retém. Essa é uma das partes favoritas, saber que posso inspirar outras pessoas me dá motivação e traz a paixão que eu tinha perdido quando fiquei cego - contou Dan, que foi fortemente afetado pela doença a partir de 2012.


Pensando no futuro, Dan buscou uma ocupação que pudesse mantê-lo ativo após a perda da visão, mesmo amparado pelo seguro social do governo americano. Investiu na massagem terapêutica: "não envolvia os olhos". Nas redes sociais, exibe seu dia a dia. Pesca, jiu-jitsu e outras atividades que pessoas cegas normalmente colocam de lado, como cortar lenha, jogar dardos. As quedas em cima das rodinhas, ele confessa, acontecem, mas não mais do que qualquer um skatista que tente evoluir e descobrir novos truques. O preconceito é que foi inevitável.

- As pessoas me tratam diferente. As pessoas pensam que sou menos capaz, mas é leve em comparação com outras pessoas com deficiência e grupos étnicos, então eu não posso reclamar muito. É por isso que faço o que faço, e de forma dura, me cobrando, para fazer o possível para mudar a visão que os outros têm dos cegos e de si mesmo - explicou Dan

Fonte: Globo Esporte

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